Une nouvelle voix dans la périphérie de Rio de Janeiro

Alors que les auteurs Ferréz et Rodrigo Ciríaco se préparent à quitter São Paulo pour Paris dans quelques semaines à l’occasion du Salon du Livre, les éditions Anacaona poursuivent leur valorisation de la littérature des périphéries, aussi appelée “marginale” au Brésil.

Nous nous présentons l’écrivain Vinícius Fernandes da Silva, auteur du blog Palavras Sobre Qualquer Coisa (Des mots sur tout et rien), implanté et attaché à la région métropolitaine carioca de la Baixada Fluminense. Découvrez son travail, avec une version de l’entretien en portugais ci-dessous.

Vinícius Fernandes da Silva

 

Peux-tu te présenter et décrire ton projet ?

Je m’appelle Vinícius Fernandes da Silva, j’ai 35 ans. Je suis né à Nova Iguaçu à Rio de Janeiro, j’ai grandi dans le quartier Mesquita et j’habite actuellement à Belford Roxo avec mon épouse. Je suis habitant, défenseur et critique du territoire qu’on appelle Baixada Fluminense.

Je suis poète, écrivain et professeur, doctorant en planification urbaine et en sciences sociales. Aujourd’hui, je suis professeur de sociologie à Rio de Janeiro. J’ai créé et géré le blog Palavras Sobre Qualquer Coisa depuis 2007 et en 2011 j’ai lancé le livre éponyme aux éditions Multifoco. Le livre a reçu la mention honorable dans la catégorie Littérature du Prix Baixada Fluminense de 2012.

L’idée initiale était de publier des poèmes que j’avais écrits, et peu à peu se sont ajoutés des nouvelles, des chroniques, des articles, des textes académiques, des critiques artistiques, des commentaires politiques, ou des présentations d’oeuvres et d’artistes en général. Le blog n’a jamais bénéficié d’aucun soutien financier ou commercial, précisément pour disposer d’une entière liberté éditoriale.

 

Palavras Sobre Qualquer Coisa

Palavras Sobre Qualquer Coisa

 

Qu’est-ce qui t’a mené à la littérature ?

Mes parents n’ont pas fait d’école supérieure et ne sont pas très enclins vers la littérature, bien qu’ils soient de bons lecteurs. Depuis tout petit, ma motivation vient des études formelles (“tu dois étudier pour devenir quelqu’un dans la vie”) et mes premiers contacts avec la littérature se sont faits grâce aux journaux et aux bandes-dessinées.

 

Comment choisis-tu tes collaborateurs et les auteurs participant au blog ?

Je les choisis parmi ceux qui sont prêts à rendre leur travail public et à être publiés. J’ai le souci de l’enracinement territorial et cela se traduit dans l’univers des artistes et universitaires participants qui vivent dans la région de la Baixada Fluminense, ou dans les banlieues de Rio de Janeiro. Alors on peut dire qu’il y a une recherche d’appartenance locale mais la liberté éditoriale est totale.

 

Carte de la Baixada Fluminense (Wikipédia)

 

 

Comment s’est déroulé le contact avec le public, quand tu as présenté le livre Palavras Sobre Qualquer Coisa ? Tu as une idée de ton lectorat ?

Le premier contact a d’abord été celui des membres de la famille, des amis, des collègues de travail et des élèves. Le livre a également était lancé dans la ville de Rio de Janeiro, dans les municipalités de Mesquita, Duque de Caxias et aussi à la Biennale du Livre de Rio en 2013.

Je pense que les réseaux sociaux et l’accès de plus en plus répandu à internet ont permis au blog et aux textes de PSQC d’atteindre un public plus large. Aujourd’hui, le blog est lu par des jeunes étudiants du secondaire et de l’université (certains ont été mes élèves), des professeurs, des chercheurs, des écrivains, des personnes qui s’intéressent à la littérature ancrée dans ce territoire, des gens liées aux partis politiques progressistes et aux droits de l’homme. Et par ma femme, qui lit tous mes textes de forme quasi… obligatoire.

 

Quel lien fais-tu avec le mouvement de la littérature marginale, à Rio et à São Paulo ?

Je n’accord pas beaucoup de crédit au terme “littérature marginale”. Pourquoi serait-elle “marginale” ? C’est de la littérature, un point c’est tout. Même s’il est évident qu’il y a une question territoriale, avec des expériences et un vécu propres et reliés aux lieux urbains. Être né et habiter dans la Baixada Fluminense ou la banlieue de São Paulo soulève des questionnements et des difficultés concrètes qui sont complètement différentes du circuit classique et des réseaux de re-connaissance des auteurs/écrivains/journalistes issus des beaux quartiers dans les grandes capitales du pays.

Mais je vois que cet “axe” s’assouplit de plus en plus et les auteurs venant de ces régions “moins prestigieuses” proposent de plus en plus un regard dissonant et enrichissant sur la manière de vivre les différentes réalités du pays.

 

Quelle est la prochaine étape de ton projet ?

Je prévois d’éditer mon deuxième livre et j’ai pour projet de transformer le blog en une plateforme virtuelle collaborative pour les auteurs de la Baixada Fluminense et des périphéries, afin qu’ils puissent publier leurs textes gratuitement. Une fois postés, ces textes seraient soumis à un sondage virtuel sur la plateforme et ils seraient publiés dans une revue bimestrielle ou trimestrielle, en édition de luxe… Le financement se ferait par crowdfunding. Voilà les plans que je mûris pour l’instant.

 

Plus d’informations sur le blog via sa page Facebook.  

***

Por favor, apresente-se e descreva o seu projeto.

Meu nome é Vinícius Fernandes da Silva, tenho 35 anos. Nasci em Nova Iguaçu, fui criado em Mesquita, e atualmente moro com minha esposa em Belford Roxo. Sou habitante, defensor e crítico do território conhecido como Baixada Fluminense.

Sou poeta, escritor e professor, doutor em planejamento urbano e em ciências sociais. Atualmente sou professor titular em sociologia no Rio de Janeiro. Criei e administro o Blog PALAVRAS SOBRE QUALQUER COISA desde 2007, e em 2011 lancei o livro de mesmo nome pela Editora Multifoco. Ganhei Menção Honrosa em Literatura pelo Prêmio Baixada Fluminense 2012.

A intenção inicial foi a de publicizar poemas que já tinha produzido e aos poucos foram se acrescentando contos, crônicas, artigos, textos acadêmicos, resenhas artísticas, comentários políticos, apresentação de outras artes e artistas em geral. O blog nunca teve nenhum patrocínio ou comerciais, justamente para eu ter inteira liberdade editorial sobre o mesmo.

 

O que lhe levou a literatura?

Meus pais não têm formação superior e nem são versados em literaturas, apesar de serem bons leitores, mas fui estimulado desde muito novo ao estudo formal regular (“você tem que estudar para ser alguém na vida meu filho”) e meus primeiros contatos literários foram com jornais e histórias em quadrinho (gibis).

 

Como escolhe os colaboradores e autores participantes do seu blog?

Escolho quem está disposto a se expor e quer publicar. Há uma preocupação com um recorte territorial, e isto abrange um universo de artistas/acadêmicos que conheço e que vivem na Baixada Fluminense, periferias ou em bairros suburbanos do Rio de Janeiro. Portanto há uma busca por um certo pertencimento territorial, mas com total liberdade editorial.

 

Como foi o contato com o publico quando apresentou o livro PSQC? Você tem uma ideia de quem lê o blog e o livro?

O primeiro contato se deu entre familiares, amigos, companheiros de trabalho e alunos. Também fiz lançamentos do livro no Rio de Janeiro, em Mesquita, em Duque de Caxias e na Bienal do Rio de 2013.

Acredito que as redes sociais e a ampliação da internet proporcionaram um alcance muito interessante ao blog e aos textos do PSQC. Hoje sou lido por jovens estudantes secundaristas e universitários (alguns inclusive foram meus alunos), professores, acadêmicos, escritores, pessoas interessadas em literatura com esse recorte territorial urbano, pessoas ligadas a movimentos políticos progressistas e de direitos humanos. E minha esposa, ela lê todos os meus textos, quase que… obrigatoriamente.

 

Qual é a sua ligação com o movimento de literatura marginal, no Rio e em São Paulo?

Não acredito muito no termo literatura “marginal”. Porque seria “marginal”? Acho que é literatura e ponto, mas é evidente que há uma questão territorial, uma experencia e vivências vinculadas a pertencimentos locais específicos e urbanos. Ter nascido e ser habitante da Baixada Fluminense ou da periferia de São Paulo traz uma série de questionamentos e efetivas dificuldades que são completamente distintas ao circuito “clássico” da rede de re-conhecimentos de autores/escritores/jornalistas de bairros nobres situados em grandes capitais do país.

Mas vejo que esta “linha” vai se tornando cada vez mais turva e autores dessas localidades “desprestigiadas” estão cada vez mais trazendo um olhar diversificado de como se vive as diferentes realidades do país.

 

Qual é o proximo passo do seu projeto?

Tenho plano para a edição de meu segundo livro, e tenho uma ideia de transformar o PSQC em uma plataforma virtual colaborativa para autores da Baixada Fluminense e Periferias poderem publicar seus textos gratuitamente. Depois de postados estes textos iriam para enquetes virtuais pela plataforma, e seriam publicados em uma revista luxuosa bimestral ou trimestral… A ideia de financiamento deste projeto seria por crowdfunding. Estou neste momento maturando a ideia.

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